Hopelessly devoted...

 Grease é um filme de 1978, um "clássico" que sempre assisto com a minha mãe.

Uma "boa moça", "CDF" que se apaixona por um bad boy. O final dessa história, você provavelmente já sabe... Se ainda não sabe, recomendo que assista. As músicas são boas, e a história não é tão água com açúcar como os romances de hoje em dia.

Porém, o ponto que eu estava refletindo é: era muito comum mandarmos cartas, na verdade era a única forma de comunicação mais direta com alguém que tínhamos. E, essa febre se estendeu por anos, décadas, na verdade. Eu nasci em 1991, então os cadernos lindamente desenhados eram muita febre na época em que eu estava na escola. Não sei se isso parou um pouco – com a faculdade, usando computador com muito mais frequência... – ou se ficou meio esquecido em mim. Na verdade, eu sempre gostei de cadernos superdecorados, sabe? Porém, esse ano, quando fui às papelarias, percebi que vem aumentando novamente esse tipo de papel. – Não falo daquele desenho "tímido", de uma estrelinha ou coraçãozinho, que muitos cadernos têm. Falo de folhas coloridas, com degradê, desenhos de personagens... 

E, com isso, eu percebi essa paixão com essas folhas, sabe? Mas eu não sou do team "you need to have to be happy". Na verdade, eu percebo que sinto prazer em usar as coisas que considero bonitas, sabe? Então, não ainda não comprei nenhum caderno de folhas superdecoradas, pois ainda não sei em que usar – o que eu estou estudando ou escrevendo, os cadernos que tenho estão dando conta. Por outro lado, isso também me fez refletir: "por que paramos de escrever cartas?" A resposta mais óbvia é que a resposta demorava para chegar e hoje temos as direct messages nos mantendo conectados "em tempo real". Essa espera não demandava apenas paciência, como também adiamento de tomada de decisões, etc.

Por outro lado, receber uma carta não era só um objeto limitado à soldados mandando e recebendo notícias de casa. Na verdade, o ato de escrever demanda tempo, paciência, atenção... presença. (Esses papéis decorados encantam meus olhos, assim como a ponta dos dedos, sentindo a textura dos desenhos; faz com que eu pense melhor o que quero colocar ali e até com que eu capriche a letra. Sinceramente, não sei se é o fato de também ser professora que me faz gostar tanto dessas coisas ou se me tornei professora por ter essa paixão – ou vida – percorrendo as mãos).

A cena do filme com essa música mostra bem isso: naquele momento com as amigas, Sandy é ensinada a nutrir o amor com as palavras e a amiga lhe dá papel e lápis para escrever, borrifa perfume... Mas Olivia Newton-John (a intérprete da personagem) prefere cantar o que estava sentindo. O que não tira a beleza do momento e também demonstra presença, mas acho que a minha pergunta é muito mais "quando paramos de demonstrar nossa presença aos que amamos, através de pequenos atos?"

Quando entramos no piloto automático de fazer plim e ter a vida pronta? 
Quando perdemos o prazer de escrever, mesmo sem saber se teríamos resposta?
Ou quando paramos de cantar, de questionar, de tentar?

Essas perguntas são apenas provocações para que, se te fizer sentido, você saia do automático e volte a admirar, querer e até usar, seus papéis superdecorados. – Aquilo que te traz presença, que você verdadeiramente aprecia.

Tenha um bom domingo, dear reader.
Obrigada por ler até aqui.

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