I have a dream
Se para o ABBA o dream é "a song to sing", os meus agora, podem parecer bobos, menores e até feios aos olhos alheios. Imagine você querer trocar de guarda-roupa, dispensar um gaveteiro de plástico e colocar piso no quarto que você chama de "seu".
É... não tem nada de "espiritual" (no sentido de elevado, iluminado ou divino) e de grandioso nisso. São sonhos bem humanos e práticos, não é? E, por mais que isso possa transbordar para outras pessoas, será algo mais pontual, se você comparar com o sonho de ter uma empresa, por exemplo.
Eu comecei a digitar essas palavras às 11 da manhã. Terminei a primeira frase, não escrevi mais nada, até agora (22:20 da noite). Se a maioria dos dias as minhas mãos parecem saber quais palavras precisam estar aqui, hoje, nem elas e tão pouco minha cabeça parecem saber o propósito deste texto.
Eu tenho chorado muito essa semana. Parece que estou vendo alguma versão antiga minha morrer. E hoje estava refletindo sobre "carreira", sabe? Percebi que eu estava indo contra a definição da palavra, que traz esse quê de progressão, de continuidade. Parece que resumi minha identidade à ser "professora de inglês". – Veja bem, eu amo a minha capacidade de ensinar algo tão complexo assim, entende? Mas eu estudei muitas coisas, gosto de muitas coisas e sei que posso entregar outros talentos ao mundo. Conheço meus gostos e minhas capacidades. – E, ao resumir minha identidade à minha profissão, parece que me coloquei em uma necessidade de ser linear. Isso não só me fez não experimentar outras coisas, como também tirou a possibilidade de erros da minha vida. Eu estava carregando o eco "você tem que dar certo de primeira! Não há chance para erros!"
E quantas vezes eu errei? Como aluna, sim, – até hoje eu estudo inglês – como professora, também. Como filha, irmã, amiga, empreendedora, humana...
Veja bem: uma menina que "não tem sobrenome" em uma cidade ainda "colonialista", sabe? Que sobrenome parece ser mandatory se você quer sair da rodinha de hamster de trabalhar das 9 às 5. Quais chances eu tinha de ser conhecida pelo meu trabalho em consultoria de imagem, se não fosse "gastando sapato"? Ou conversando com as pessoas? Tentando me inspirar e alcançar o meu próprio espaço? A pessoa que tinha passado por lutos e burnout em salas de aula, que tinha estudado tanto... cheia de sonhos, ~tentando ser consultora de imagem ouviu coisas que não deveria ter internalizado tanto. Porém, essa maturidade só chegou com o fato de primeiro ter internalizado, depois ter identificado que isso não fazia sentido e então ter decidido limpar.
Aparentemente, nem os meus textos são lineares... Como eu posso exigir que eu seja? Que minha profissão e a carreira seja, sendo que, desde criança, eu sou de quebrar padrões?
Estou aqui com uma ~leve indignação risonha comigo mesma, pois agora eu consigo ver que isso foi autoabandono e o quanto isso não é saudável.
Eu realizei muitas coisas legais nesses últimos anos, outras grandiosas (como dar entrada no próprio apartamento), mas, hoje, eu posso garantir que, além de não ser perfeita e nem linear, eu tenho sonhos "bobos", mas que são genuínos pra mim. E, by the end of the day, é isso o que importa.
Por fim, o que eu quero te convidar hoje é justamente perceber: qual é o sonho genuíno que você carrega com você? E o que está ao seu alcance para realizá-lo?
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Muito obrigada! ;)